Tendência contrária ao movimento de estabilização da epidemia de aids no Brasil, que desde 2000 apresenta uma redução no número de novos casos por ano, o aumento da prevalência da infecção pelo HIV entre pessoas com mais de 50 anos emerge como importante desafio à saúde pública.
Segundo dados do Ministério da Saúde, a incidência de aids nesta população cresceu de 3,6 para 7,1 por 100 mil habitantes entre 1996 e 2006 – o que representa um aumento de 50%.
Alguns fatores podem ser associados a esta transição epidemiológica. O envelhecimento da população brasileira, o aumento da espectativa de vida das pessoas vivendo com HIV/aids e o acesso a medicamentos para distúrbios ou disfunções eréteis, que prolongam a atividade sexual de adultos maiores, certamente colaboram para a maior incidência de casos em indivíduos com mais de 50 anos.
Mas uma característica cultural muito importante não pode ser esquecida: esta população, que iniciou a vida sexual anteriormente ao surgimento da aids, não reconhece o risco de contrair a infecção e não está familiarizada ao uso do preservativo.
Dados de 2005 do Ministério da Saúde indicam que somente 37,5% dos indivíduos sexualmente ativos com mais de 50 anos fazem uso regular do preservativo com eventuais parceiros. Para prevenir a aids – e outras doenças sexualmente transmissíveis – é preciso aumentar esta adesão. Daí a necessidade de campanhas de prevenção especializadas, como a que o Ministério da Saúde lançará no Dia Mundial de Luta Contra a Aids, 1º de dezembro.
Aqui no Rio Grande do Sul a Secretaria Estadual de Saúde lançará uma campanha própria, com ações em clubes de terceira idade, distribuição de materiais gráficos que brincam com o lúdico e até mesmo um tipo de gibi com dicas até mesmo para gays idosos.
A campanha foi discutida com representantes do Fórum de ONG Aids do RS, equipe de criação da Agência Escala e Representantes da Política de DST/Aids da Secretaria de Saúde.
Para Alexandre Böer, jornalista com especialização em comunicação e saúde do grupo SOMOS, "é muito importante também perceber que as pessoas nessa faixa etária também podem ser gays e elas têm um estilo de vida próprio. Sabendo disso podemos incluir alguns elementos na campanha para contemplar também esse público".